Archive for month: January, 2021


Treino de um Atleta do Surf

Treino de um Atleta do Surf 

No passado, há 20 anos atrás falava-se de 3 pilares muito importantes do trabalho do atleta: Treino, repouso e alimentação.

Mas quando se fala de elevar um atleta à sua melhor performance, penso que esta base de 3 apoios, é demasiado frágil.

Também nesta área, a ciência trouxe revolução. Nada pode ficar como antes. Nenhuma outra modalidade, nem o Surf ou o Skate,…

Para trabalhar com a alta performance ou máximo desempenho, é imperativo considerar novos fundamentos.

A individualização, definitivamente está a falhar no Surf, pois temos atletas de topo em Portugal que competem entre si, sendo treinados pelo mesmíssimo treinador. Alguns treinadores, inclusive, competem lado a lado com o seu formando.

Discordo 100%, numa fase de especialização destas. Como profissional, não o conseguiria fazer, por estar associado um gigante conflito de interesses!

Com a leitura de 3 livros, acrescentei mais pilares à estrutura de planeamento do treino:

  1. “Peak: The New Science of Athletic Performance That is Revolutionizing Sports”, de Dr. Marc Bubbs
  2. “Virar o Jogo: Como Atletas Subvalorizados e Cientistas Pioneiros Descobriram o Que É Preciso Para Ganhar”, de João Medeiros
  3. E um clássico da bibliografia de qualquer académico da área do treino, en unca desatualizado Periodization: Theory and Methodology of Training, de Bompa e com uma edição bem recente de 2018. 

Fazer mais formação, ler, estudar, trás-me a humildade de sentir que quanto mais estudo, mais assuntos me arrebatem e, permite-me evoluir enquanto profissional. E com esta leitura, enriqueci, recentemente, o protocolo de treino da Good Surf Good Love.

Hoje, no protocolo de performance que usamos na Academia Good Surf Good Love, destaco estes pilares:

  1. O treino de todos os componente gerais e específicos de cada modalidade;
  2. O sono e os impactos da qualidade e quantidade de horas de sono;
  3. A nutrição, suplementação, a digestão, a relação do consumo de açúcar e a longevidade, enquanto atleta e enquanto pessoa, o microbioma e a imunidade;
  4. A respiração e o quanto pode impactar os níveis físicos e mentais;
  5. O alongamento e a flexibilidade;
  6. A recolha e controlo de dados e sua constante monitorização;
  7. As emoções e o mindset;
  8. E a mais importante que une todas as anteriores: A importância da liderança, sabedoria e formação do treinador.

Este trabalho não se faz sozinha/o. É necessária uma equipa! Nenhum treinador irá ser o único interveniente no trabalho que visa colocar um atleta no TOPO!!

Panorama Actual – Treinadores, Atletas, Pais

Os Treinadores

Em primeiro lugar, quanto mais um treinador achar que já sabe tudo, mais estará a limitar os seus atletas de chegar longe.

É um facto que esta é uma realidade no Surf, especialmente da parte da velha guarda. Alguns até com papeis bastante relevantes, ainda sem formação académica, com muito para dar – verdade, mas já com pouco espaço para aprender.

Já sabem tudo. 😅 E ser bom surfista não chega.

O Atleta

Em segundo lugar, é necessário educar mindsets de atleta, desde as etapas de formação.

No meu passado profissional, já tive algumas oportunidades interessantes, que recusei. Já recusei trabalhar com atletas das ondas grandes, por exemplo, por não cumprirem os meus requisitos.

Se estou pronta para dar tudo e organizar a equipa mágica dedicada em torno deste novo atleta da equipa, não aceito uma gota de suor a menos, da sua parte!

Os Pais

Em terceiro lugar, precisamos da confiança dos pais.

Precisamos de pais que confiem num método e no processo, que deêm tempo e espaço aos pequenos, de darem o seu salto no seu tempo, em vez de saltarem entre diferentes Surfistas, Instrutores ou treinadores, a cada meia época.

A fase de formação é tão importante!

No Surf, ainda temos poucos resultados em Portugal.

As entidades de formação duplicam a cada virar do ano, mas essa duplicação, não representa evolução. Está a mudar, melhorar lentamente.

Existem excelentes estruturas e excelentes profissionais já a mostrar resultados do seu trabalho, mas considero que já podiamos, devíamos estar noutro patamar.

Especialmente considerando o investimento em Centros de Alto Rendimento – Como estarão a ser utilizados? Quem pensou estas infraestruturas?😅.

E a fantástica costa que temos – somos um país à beira mar! A variabilidade de ondas, de condições, os 365 dias por ano, são fatores fortes para os atletas do nosso país terem resultados acima da médias europeia, pelo menos. Fazemos parte da rota mundial do Surf. Somos reconhecidos por termos ondas de elite mundial.

Os tempos mudaram!! O Surf é hoje OLÍMPICO. É um DESPORTO.

Precisamos de laboratórios, de mais estudos, de mais atletas com a imagem de atleta exemplar, menos miúdos/atletas mal educados, e melhores exemplos de civismo no mar, mais treinadores com noções de periodização e performance e, menos Instrutores e Monitores escondidos por trás de camera de filmar.

Ah e menos egos inchados com muito pouco para dar, em elevados cargos de responsabilidade, que entopem caminhos e possibilidades de crescimento da modalidade.

Estes caminhos entupidos, não ajudam o desporto a crescer, se é que há realmente Mestres e Doutores e governadores com outro foco que não seja o seu umbigo.

Estará cada um no lugar certo do processo? O que mais pode mudar e melhorar?

Fica a questão em aberto, para futuros desenvolvimentos.

IT

 

Como ler uma onda – Lição 2

Anatomia da Onda

Ler uma onda com precisão pode ser considerado uma arte e é uma parte importante para conseguir surfar bem. Conforme o praticante progride no seu surf, a sua capacidade de ler as ondas aumenta e isso acontece ao passar muitas horas no oceano em todas as condições diferentes. 😜
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🌊   Pocket ou Bolsa: Onde a onda é mais íngreme. É a zona da onda que tem mais força, onde se encontra a maior energia, e de onde o surfista retira maior velocidade e também onde experiência sensações mais fortes.
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🌊   Parede ou face: a parte verde/azul da onda que está de pé, que ainda não rebentou. É uma zona onde o surfista consegue ganhar mais estabilidade, mas se se mantiver nesta zona, poderá perder velocidade.
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🌊   Shoulder ou Ombro: é uma zona de muito menos energia, comparativamente com as anteriores, e também menos inclinada. Devemos permanecer pouco tempo nesta zona, para não condenarmos uma desaceleração tal, que não nos permita continuar a corrida.
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🌊   Flat ou Base: É a zona plana em frente a onda. É uma zona em que existe ainda menos energia do que no ombro, no entanto, é inevitável que por lá passemos, enquanto transitamos entre zonas à procura de maior energia e velocidade, especialmente enquanto executamos o bottom turn – viragem na base.
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🌊   Lip ou lábio: É a zona branca por cima do pocket. A parte superior da onda que se eleva e quebra primeiro. No lábio encontramos também muita energia, e apesar de ser uma zona muito instável, é onde os melhores surfistas aplicam algumas manobras ou que usam para geral novamente energia.
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🌊. Impact Zone ou Zona de Impacto: é onde o lábio se encontra com a base da onda. Este impacto pode ser bastante violento, como tal, deve ser uma zona a evitar.
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🌊   Espuma ou White Water: É a zona branca da onda que avança de forma perpendicular em direção à praia. Nesta zona existe muita turbulência, no entanto é commumente usada para que os iniciantes possam repetir muitas vezes um determinado exercício, em segurança e sem perturbar as viagens dos surfistas bons.

Como aprender a ler o mar – Lição 1

Por onde podemos começar a aprender a ler o mar e as ondas? 🤔

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De início, o mais simples é começar a identificar as ondas considerando o uso que pretendemos fazer delas ou seja, para fazermos Surf.
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A informação que podemos aprender sobre o mar é tanta que não esperes sequer que esta informação seja fácil de interpretar ou identificar quando olhas para o mar pois, nem sempre as ondas vão parecer tão bem desenhadas – Créditos para o designer ou para a desenhadora eheh.
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Normalmente começamos por aprender numa zona onde temos sempre contacto com o fundo, “de pé no chão” em marés mais vazias, onde as ondas já vêm quebradas ou rebentadas. A estas ondas chamamos “espumas”, ondas brancas, ondas quebradas.
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Mais tarde começamos a tomar uma direção:
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Ondas para a direita: em que a referência é o Surfista de frente para a praia que apanha uma onda que é mais alta do seu lado esquerdo e que rebenta em sequência da esquerda para a direita.


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Ondas para a esquerda: sendo a referência o surfista, é quando a onda revenda primeiro do seu lado direito em direção ao lado esquerdo.
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Os surfistas sonham muito também com picos triangulares em que uma mesma onda pode ser surfada por dois surfistas ao mesmo tempo já que esta quebra bonita e perfeita para os dois lados. Os estrangeiros chamam de “A Frame”. Nós chamamos de pico triangular.
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Esta é uma das muito poucas maneiras de surfar a mesma onda com um amigo! 😉
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Depois, uma onda que não queremos apanhar é um “closeout” ou, como chamamos às vezes numa gíria mais nossa, uma guilhotina! O closeout é uma onda que fecha toda ao mesmo tempo de forma rápida, não dando possibilidade para ser surfada na parede, só nos permitindo ir em frente.
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Quero treinar, por onde começar?

Quero treinar, por onde começar?

Falar de dicas de treino e apresentar soluções ou exemplos de treino, sempre me foi um assunto controverso, assim como também me tem sido difícil introduzir o treino online, pelo zoom, para as nossas turmas de crianças e adultos.

Esta minha barreira psicológica deve-se ao hábito que criei de trabalhar de forma individualizada e da necessidade de planear, para alcançar metas. 

Mas é possível, okay? Vamos é ter de começar isto pelo início. 

Hoje venho introduzir, o tema treino e começo por fazer um esclarecimento sobre o conceito de Treino Funcional.

O que é o Treino Funcional?

Esta fama que o treino funcional ganhou na última década, não é mais que uma tentativa de resgatar os padrões básicos do movimento. 

No entanto, tem sido mais usado para introduzir instabilidade e desequilíbrio no treino de pessoas que ainda nunca conheceram o treino tradicional. Este procedimento representa uma negligência para com a importante função de estabilizadora de certos grupos musculares.

Em primeiro lugar, é necessário abordar o treino numa ótica mais tradicional, onde os movimentos básicos do corpo humano são avaliados, e executados de forma controlada. Esta é a fase de aprendizagem dos padrões de movimento e desenvolvimento do controlo motor.

Em segundo lugar, podemos então falar em cargas, de forma progressiva, para que o indivíduo mantenha a execução atlética dos movimentos.

Treino Tradicional Vs Treino Funcional, não estou a perceber? 🤨

Sim o tradicional é funcional! Só que na área do Fitness, por multiplas razões, é diferente da área do treino. Por isso quis esclarecer que o verdadeiro foco do conceito de Treino Funcional é o resgate dos padrões básicos do movimento.

REFORÇO: Usa-se e abusa-se do treino funcional, mas é absolutamente fundamental que adultos, crianças e atletas conheçam e dominem estes padrões básicos de movimento, para desenvolver controlo motor. 

Então por onde podemos começar?

Pelo agachar,  puxar, empurrar, flectir, estender, rodar, inclinar, alcançar, que são padrões que muitos corpos de hoje, não conhecem.

Serão estes os tópicos básicos a abordar nesta nova rubrica das redes da Good Surf Good Love. 

Este é o início. 

E este início, infelizmente, é para quase todos! 

Se alguns corpos humanos, já não conhecem mais esses padrões, estão disfuncionais. E esta disfunção é uma patologia. 

Todos nós, apresentamos múltiplas disfunções, devido aos hábitos de vida, uns por sobre-uso e más posturas, outros por falta de uso. 

As crianças por iliteracia motora. Porque ninguém lhes ensinou na sua fase ótima de aprendizagem. 

Alguns atletas de algumas modalidades, também nunca passaram por uma fase de conhecimento e adaptação anatómica.

É aqui que sinto a necessidade de trabalhar no meu laboratório, o ginásio.

O ginásio, é onde posso:

  • Analisar um ponto de partida – através de protocolos de avaliação inicial;
  • Estudar a Cadeia Cinética;
  • Controlar cargas;
  • Definir intensidade da carga;
  • Definir periodos de recuperação, entre cargas e entre treinos;
  • E o mais relevante neste caso, ensinar padrões de movimento.
  • Ou para poder começar a trabalhar com cargas, sem que as limitações do desconhecimento dos padrões básicos do movimento, restrinjam o trabalho com um atleta numa fase inicial. 

Conclusão

Esses movimentos básicos têm uma importância muito grande para o teu movimento no surf, na vida e no treino.

Então, vamos começar pela qualidade dos movimentos da nossa cadeia cinética, combinado?