Nazaré Surf Club: o trabalho que a onda não mostra

Obrigada ao Nazaré Surf Club pelo convite para integrar este projeto e pela confiança no meu trabalho.

Tenho estado a trabalhar com o Eddie e com a equipa, levando comigo aquilo que orienta a minha prática: conhecer a pessoa, observar o seu surf e perceber o que faz sentido trabalhar a seguir.

Quem me entrega umas horas do seu dia está a investir tempo, dinheiro e confiança. Sinto uma enorme responsabilidade em dar o melhor de mim, ajustado a quem tenho à frente. É uma responsabilidade que começa na preparação da sessão e continua depois de sairmos da água.

No meu trabalho, a avaliação permite dar direção ao treino. Procuro compreender o nível atlético do praticante através do seu controlo motor e do seu ecletismo: como controla o corpo, que movimentos domina e que recursos, adquiridos em diferentes práticas desportivas, consegue trazer para o surf.

Interessa-me perceber como rema, como lê o mar, onde se posiciona, como se relaciona com a prancha e que decisões consegue tomar nas condições em que está a surfar.

Quero que a diversão e a adrenalina façam parte do propósito, com preparação à altura. A avaliação ajuda-me a gerir o risco e a ajustar o equipamento, as condições e os desafios a cada praticante, procurando as melhores condições possíveis para desfrutar da experiência.

Pensemos na entrada numa onda. A remada, o posicionamento e o momento escolhido para começar a deslizar precisam de ser observados em conjunto. Pedir mais força ou mais velocidade, sem perceber o que está a acontecer, pode deixar por esclarecer a dificuldade que queremos trabalhar.

É por isso que organizo a observação através de três elementos do método METSIT®: o praticante, a prancha e o mar.

O praticante traz consigo um corpo, uma história desportiva, expectativas e uma forma própria de aprender. A prancha precisa de fazer sentido para essa pessoa e para o trabalho que estamos a propor. O mar coloca as condições concretas em que tudo isso vai acontecer.

Desta relação saem decisões práticas: que equipamento escolher, que competências observar, que prioridade definir e como organizar as sessões seguintes. É esta a estrutura que levo para a minha intervenção no projeto.

No Nazaré Surf Club, o treino de surf articula avaliação, acompanhamento técnico, vídeo e feedback. O meu contributo situa-se nesta área, num projeto que reúne diferentes profissionais.

Trabalhar em equipa exige clareza. Cada intervenção precisa de um propósito e cada profissional precisa de saber qual é o seu contributo. É uma ideia que também atravessa o que tenho escrito sobre planeamento do treino no surf: as decisões ganham sentido quando fazem parte de um percurso.

É nesta articulação, e na individualização, que continuo a encontrar uma das maiores lacunas do treino e da preparação no universo do surf. Ter várias pessoas a intervir exige que as suas decisões se relacionem e façam sentido para aquele praticante.

A quem está a aprender ou a treinar, proponho quatro perguntas para fazer ao seu treinador na próxima sessão:

  1. O que estou a trabalhar?
  2. Porque foi escolhida esta prioridade para mim?
  3. O que vamos observar para decidir o passo seguinte?
  4. Como se articula este trabalho com o resto da minha preparação?

Quero que o praticante compreenda o trabalho em que está envolvido. Que consiga relacionar aquilo que sente com aquilo que observamos. Que leve da sessão uma indicação útil para continuar.

O corpo não é detalhe, é o sistema onde o talento acontece.

É com esta convicção que estou a trabalhar com o Eddie e com a equipa do Nazaré Surf Club.

Se a aventura e a adrenalina das ondas grandes te desafiam, contacta o Nazaré Surf Club para conheceres o programa e perceberes como preparar o teu percurso.

Marca uma primeira sessão de avaliação comigo. Terás uma abordagem séria, profissional e de base académica multidisciplinar, para definirmos o melhor ponto de partida para o teu surf.

Inês Tralha
Good Surf Good Love

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