Por Professora Inês Tralha
Ondas, manobras, notas, vencedores.
Visto de fora, o surf de competição pode parecer simples. Até duas ondas aparentemente semelhantes receberem notas diferentes. Ou um surfista apanhar mais ondas e, mesmo assim, perder a bateria.
Para acompanhar o Championship Tour, a primeira coisa a compreender é esta: a quantidade de ondas não decide, por si só, o resultado.
As duas melhores ondas
Para o total da bateria contam as duas ondas com melhor pontuação de cada surfista. Cada onda pode valer até 10 pontos. O máximo possível no total é 20.
O surfista pode apanhar outras ondas. Mas o total da bateria resulta das duas melhores notas.
Isto muda a forma de olhar para a competição. Não basta contar quantas vezes alguém se levantou na prancha. É preciso perceber o valor das ondas que conseguiu construir.
Como se chega à nota de uma onda
Cinco juízes avaliam cada onda. A nota mais alta e a mais baixa são retiradas. A nota da onda corresponde à média das três restantes.
A nota de uma onda e o total de uma bateria são, portanto, coisas diferentes. E ambas são diferentes dos pontos que um resultado numa prova acrescenta ao ranking.
Confundir estes três níveis torna o campeonato muito mais difícil de acompanhar do que precisa de ser.
O que os juízes observam
No surf de prancha curta, os critérios incluem compromisso e grau de dificuldade, manobras inovadoras e progressivas, combinação de manobras, variedade, velocidade, potência e fluidez.
A onda é avaliada como uma sequência técnica completa. Não como uma simples soma de manobras isoladas.
Por isso, olhar apenas para o momento mais vistoso pode deixar de fora uma parte importante da leitura.
Prioridade também faz parte da bateria
Existe um sistema de prioridade que regula o direito preferencial à escolha da onda. Os outros surfistas não podem prejudicar o potencial de pontuação de quem tem prioridade.
Uma interferência pode ter consequências no resultado. Perceber quem tinha prioridade ajuda a compreender decisões que, vistas apenas da areia ou num excerto de vídeo, podem parecer estranhas.
Três circuitos, três contextos
Qualifying Series, Challenger Series e Championship Tour são níveis diferentes do sistema competitivo da WSL. Têm funções e rankings próprios.
Uma nota numa onda não é um lugar no ranking. Ganhar uma bateria não é ganhar uma prova. E compreender uma prova não dispensa compreender o percurso competitivo em que está inserida.
É precisamente por isso que o planeamento importa.
Na próxima bateria, acompanha primeiro as duas melhores notas de cada surfista. Depois observa a onda inteira, do início ao fim. E pergunta o que justificou a pontuação.
O campeonato torna-se mais interessante quando começamos a compreender o que estamos a ver.
Que parte da pontuação ainda te deixa dúvidas?
Fonte para consulta: explicação oficial de pontuação e regras da WSL. Este artigo centra-se na leitura da bateria; não apresenta um calendário de provas nem cálculos de qualificação para a época seguinte.
Do campeonato para o teu surf
Experimenta as três perguntas para observar uma prova de surf. Se queres trabalhar o teu próprio surf com orientação, conhece o Surfing With Science e fala connosco sobre o que procuras.
Fotografia de arquivo da Good Surf Good Love. Não representa uma bateria da prova atual.
